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  • Alessandro Meneghetti

9 Razões Por Que Pastores Não Preparam Novos Líderes

Depois de conversas com alguns colegas de ministério, desenvolvemos uma lista de 9 razões por que pastores não preparam novos líderes. As razões variam, mas todas resultam em um pastor que deixa de desenvolver uma parte fundamental do seu ofício: o preparo de novos pastores (2 Tm. 2.2). 

Você identifica alguma destas razões em você ou em sua igreja? 

1. “Estou ocupado demais com o trabalho do pastoreio da igreja.”

Aqui, o pastor afirma que as tarefas de cuidar das ovelhas, administrar a igreja e preparar pregação e ensino ocupam todo o seu tempo. Não sobram horas para acompanhar homens que têm potencial. Frequentemente, tal pastor vive debaixo de uma “tirania do urgente,” sempre apagando incêndios e tentando agradar as demandas das pessoas. Ele pode se sentir muito querido, se alimentando das palavras de afirmação que vêm das pessoas que ele atende, mas os anos passam sem investimentos numa futura geração. 

2. “Não tem ninguém qualificado para eu chamar.”

Este pastor tem um padrão alto, provavelmente pautado nas qualificações bíblicas para o presbítero nas cartas de 1 Timóteo e Tito. Quando olha para sua congregação, porém, não vê ninguém que se enquadra. Por isso, o pastor entende que não é o momento de desenvolver uma nova liderança. Falta, talvez, a visão do que Deus poderia fazer em homens (às vezes ainda jovens e crus) ao longo de tempo de investimento espiritual. É preciso, também, verificar se não há alguma expectativa pessoal ou cultural do pastor em relação ao perfil de novos líderes que não está nos padrões bíblicos (classe social, carisma, etc.).   

3. “Isso não é meu trabalho.”

Esta razão se baseia frequentemente na experiência própria. “Ninguém me preparou. Senti o desejo, fiz seminário, e aqui estou.” Muitos imaginam que os pastores têm um chamado muito pessoal e individual da parte de Deus e que Deus conduz o homem ao pastoreio sem necessariamente envolver pastores mais experientes no processo. Acrescente a noção popular de que os seminários teológicos preparam os ministros, e se tem amplas justificativas para os pastores acharem que o trabalho de formar outros pastores não é seu papel. 

4. “Eu não sei fazer isso.”

Este pastor não se sente apto e, possivelmente, é um pouco intimidado pela tarefa. Ele pode pensar que existem habilidades ou técnicas necessárias para o preparo de líderes que são além daquelas necessárias para o pastoreio. Talvez, este pastor não percebeu o quanto a tarefa de preparar líderes se alinha com o pastoreio da igreja. Isto é, pode-se preparar novos líderes enquanto pastoreia, utilizando o mesmo conjunto de habilidades e práticas exigidas do ministério pastoral. 

5. “Tenho medo de que o novo pastor roube o meu lugar.”

Dificilmente alguém tem a coragem para admitir esta razão em voz alta, mas é muito comum. Pode ser que o pastor já teve experiências traumatizantes com colegas ou seminaristas tentando “passar a perna” nele para conquistar a igreja para si. Independentemente da situação, o medo existe, e não vale a pena correr o risco de que este novo líder seja visto como melhor que ele. De fato, enquanto permanecer o medo de ficar na sombra de outro, o pastor não desenvolverá líderes ou (e pior ainda) escolherá apenas pessoas deficientes das qualidades necessárias para a liderança da igreja para ninguém fazer concorrência.  

6. “Vai complicar a minha vida.”

Este pastor está em um ritmo de ministério em que tudo está bem encaixadinho. Talvez, ele tenha conquistado tal estabilidade ao longo de muitos anos na igreja. Agora, por que falar em reorientar a agenda, dividir o foco, delegar tarefas a uma pessoa que não fará tão bem quanto ele? Parece que só pode trazer problemas para sua vida ministerial consolidada. Se o ministério não está quebrado, por que mexer? 

7. “Vou acabar expondo as minhas falhas e fraquezas ministeriais.”

Aqui, o pastor sabe que se começar a trabalhar com novos líderes, ele vai se expor e terá que explicar o que faz e as razões por trás do que faz. Talvez, ele não saiba por que faz o que faz no ministério pastoral. Ele está indo no automático ou cegamente seguindo um pacote de igreja. Talvez, ele se engaje em práticas não éticas como plagiar sermões da internet ou é frouxo no cumprimento dos horários propostos para o exercício do pastoreio. Por enquanto, ninguém da igreja percebeu ou reclamou, mas dividir o ministério com outros homens vai jogar um holofote sobre tudo que faz. Este pastor não está preparado para prestar contas e por isso anda sozinho.  

8. “Ninguém me procurou.”

Este pastor diz que gostaria de investir em novos líderes. Ele anseia ouvir da boca de algum homem maduro da igreja o seu desejo para a liderança espiritual da igreja. Ele espera… e espera, mas até hoje ninguém manifestou o desejo. Por algum motivo este pastor entendeu que ele não deveria tomar a iniciativa na identificação e desenvolvimento de crentes maduros.   

9. “Meu povo não me libera para isso.”

Existem diretorias de igrejas ou grupos de presbíteros que entendem que o pastor não está sendo pago para passar uma proporção significativa do seu tempo investindo numa futura liderança, muito menos em fazer investimentos financeiros para promover estágios ministeriais ou cursos relevantes. Sem o apoio da igreja, o pastor não tem a liberdade para priorizar a formação de novos pastores. Se fizer, vai ter que ser no seu tempo pessoal e sem o respaldo financeiro da igreja.  

Conclusão: 

Quase todas as razões alistadas aqui podem traçar a sua origem na falta de entendimento do pastor ou da igreja de que preparar a próxima geração de pastores é uma tarefa fundamental do pastoreio que deve ser exercida de forma proativa. Medo e insegurança do pastor são outros fatores importantes. Como superar isto? 

Se o pastor entendeu, biblicamente, que formar pastores é parte integral de seu trabalho, ele precisa levar sua igreja a esta compreensão também. Ele não está desperdiçando seu tempo ou tirando seu foco do pastoreio da igreja para investir na próxima geração de líderes; ele está sendo um pastor mais fiel e completo. Ao invés de se entregar ao caminho fácil da acomodação ou medo, o pastor pode entender que abraçar esta responsabilidade com zelo certamente há de fazê-lo crescer muito. 

Mesmo que pareça não haver ninguém, ele pode começar investindo em alguns homens promissores de forma mais intencional. Mesmo se nenhum se tornar um futuro pastor, esta atenção especial irá marcar positivamente suas vidas para sempre. 

Para o pastor que deseja preparar a próxima geração de pastores, sempre há uma atitude que pode ser tomada hoje, um primeiro passo prático em direção ao alvo.   

Quero agradecer aos pastores Abmael Araújo Dias Filho e David John Merkh Jr. da Primeira Igreja Batista de Atibaia por suas importantes contribuições ao conteúdo deste artigo. 

por Jeremiah J. Davidson

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