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  • Alessandro Meneghetti

Formação Pastoral na Igreja Local – Argumento Bíblico

por Jeremiah Davidson

Ao longo de cinco breves artigos, quero apresentar argumentos em prol da igreja local assumir responsabilidade pela formação pastoral. O argumento que baseia a formação pastoral na igreja tem apoio bíblico e histórico, além de oferecer uma série de vantagens práticas e econômicas. A formação sediada na igreja também se alinha melhor com uma visão saudável da eclesiologia prática. Nesta primeira parte, apresento um sucinto argumento bíblico.

A ideia de educação teológica e formação pastoral baseadas na igreja pode não ser imediatamente clara para alguns. Por isso, é útil definir os termos. Existem diferentes maneiras em que um modelo de formação na igreja pode funcionar. Pode ser uma instituição formal que concede diplomas de graduação ou pós-graduação, com ou sem credenciamento de algum órgão externo (MEC, AETAL, etc.). Pode ser um aprendizado informal, embora direcionado. Para os fins deste artigo, quero definir a formação pastoral baseada na igreja como aquela que é projetada pela igreja (a igreja define os parâmetros) e para a qual o ambiente de aprendizagem é -principalmente- a igreja e seu ministério pastoral.

Antes de passar para o primeiro argumento, quero deixar claro que não estou propondo o fim do seminário ou da faculdade bíblica. Eu próprio sou um produto grato de tais instituições e acredito que elas têm um papel importante a desempenhar. Perderíamos muito se elas fechassem as portas. Tampouco considero a formação pastoral sediada na igreja uma panaceia para curar todas as enfermidades do treinamento pastoral. Defendo, apenas, que temos muito a ganhar promovendo modelos saudáveis ​​de formação pastoral sob a orientação de fiéis igrejas locais, incluindo modelos de educação formal.

#1 Argumento Bíblico

Se chegarmos à Bíblia como observadores interessados, atentos ​​ao processo de formação de novos pastores, o que observamos? Rapidamente descobrimos que o Novo Testamento apresenta a seleção e preparação dos primeiros presbíteros (pastores)¹ pelos Apóstolos, bem como instruções para as futuras gerações de pastores. Observamos que o papel da formação pastoral é desempenhado por presbíteros mais experientes no contexto da igreja local, com ênfase no exemplo de um ministério fiel.

Para o pastor mais jovem Timóteo, Paulo escreveu:

“E o que de mim ouvistes na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que serão capazes de ensinar outros também.”(2Tm 2.2 ESV)

Para os filipenses, incluindo os bispos (Fp 1: 1), ele escreveu:

“O que você aprendeu, recebeu, ouviu e viu em mim – pratique essas coisas e o Deus de paz estará com você.” (Fp 4: 9 ESV)

Ao examinar textos com relevância específica para a seleção e treinamento de novos pastores, surge um processo de formação pastoral que envolve as seguintes etapas gerais:

  1. Identificação feita pelo (s) presbíteros (s) ativo (s) de homens espiritualmente maduros que desejam ser anciãos e que possuem os dons e habilidades necessários (1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9).

  2. O ensino da sã doutrina para que possa ser reproduzida por aprendizes no ensino e correção de outros (2Tm 2.2; Tt 1: 9).

  3. Progresso na prática do ministério pastoral sob a orientação de presbíteros mais experientes focado, ao longo do processo, na pureza de vida e na doutrina (1Tm 4.11-16; 1Pe 5.1-4).

Podemos resumir o processo de formação pastoral da seguinte maneira: Os pastores selecionam homens fiéis, dotados e dispostos, a fim de prepará-los no contexto da prática ministerial e eclesiástica.

Uma frase que é particularmente descritiva é a palavra de exortação de Paulo a Timóteo: “Pratique estas coisas, mergulhe nelas, para que todos vejam o seu progresso. Fique atento a si mesmo e ao ensino.” (1Tm 4: 15-16a ESV). O progresso é o resultado da prática. Tal prática exige que a pessoa esteja engajada no ministério.

Uma formação na igreja pode oferecer melhor tanto a proximidade com pastores mais experientes, quanto oportunidades para envolvimento no ministério. Os seminários podem encontrar maneiras criativas de envolver os alunos em estágios pastorais? Eles podem e certamente devem. No entanto, se quisermos, o mais fielmente possível, reproduzir o processo que encontramos nas Escrituras, não estaríamos naturalmente fundamentando todo o processo na igreja? Em troca de que benefício irresistível devemos distanciar os aprendizes de pastores fiéis e contextos de ministério da igreja?

¹Eu uso os termos presbítero, pastor e superintendente alternadamente, entendendo que são termos bíblicos que se referem ao mesmo cargo de liderança espiritual.

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